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04.12.2017

Manutenção para pequenas e médias empresas do segmento de produtos de higiene e limpeza

Existem vários conceitos de manutenção, os quais são frequentemente abordados em médias e grandes corporações, principalmente no processo produtivo de bens duráveis. Porém, raramente a manutenção é discutida na realidade de pequenas e medias empresas. Mais incomum ainda, especificamente em relação ao segmento de produtos de higiene e limpeza.

No Brasil, devido ao território continental e um amplo mercado interno, há centenas de empresas regionais que produzem e comercializam ampla variedade de produtos de higiene e limpeza. A grande maioria destas podem ser classificadas como pequenas e médias empresas, geralmente de origem e controle familiar.

Estas empresas enfrentam grandes desafios, tais como: a tributação pesada, aumento do custo de matéria prima, taxas inviáveis de financiamento para tecnologia e a concorrência de grandes corporações. Estes entraves consomem boa parte da capacidade de investimento e forçam estas empresas a trabalhar com estrutura enxuta, visando o menor custo operacional possível.

Devido a este cenário, a estrutura de manutenção destas empresas é bastante limitada, tanto em relação a força de trabalho quanto no investimento em peças de reposição, melhorias, paradas programadas, reformas... Desta forma, temos um dos maiores desafios desta indústria, como alcançar bons níveis de eficiência sem grandes investimentos em manutenção?

A grande maioria destas empresas trabalha com manutenção corretiva. Ou seja, trabalha até a máquina parar e, só então realiza o concerto. Algumas empresas realizam a manutenção corretiva quando detectam sinais de má operação, o que nem sempre é possível, falhas ou quebras inesperadas necessitam de manutenção de emergência. Este tipo de manutenção faz uso da máquina e das peças até o limite mecânico, ou seja, faz o máximo uso. Nela, não há custos de paradas para manutenção preventiva ou preditiva, equipes qualificadas, nem investimentos periódicos em peças. Por outro lado, uma parada inesperada da produção, tal como uma quebra de uma máquina, pode resultar em não atendimento de um ou mais pedidos de produção, horas extras e até a perda de insumos.

Algumas empresas encontram um falso equilíbrio, possuem capacidade de produção superior a demanda e operam com baixíssimos níveis de eficiência, principalmente pela falta de um nível mínimo de manutenção e condições de operação das linhas. Por outro lado, devido a esta deficiência perdem oportunidades de ampliar seu leque de produtos, sua participação no mercado ou até mesmo incrementar seu faturamento com a terceirização da produção para outras marcas.

Com a dificuldade de acesso ao crédito, muitas empresas, vem passando por um processo de sucateamento. E a falta de manutenção dos equipamentos acelera ainda mais este processo. Assim, a produção perde eficiência, reduz produtividade e aumenta o número de postos de trabalho manual, promovendo assim, o aumento de custos operacionais.

manutenção preventiva são ações prévias que visam reduzir ou impedir falhas em máquinas ou equipamentos. Assim, as linhas de produção operam com maior eficiência e tendem a não sofrer com imprevistos. Tudo isso contribui para a redução de custos. Porém em contrapartida, faz necessário investimentos periódicos em peças sujeitas a desgaste natural, bem como uma programação de paradas das linhas para que uma equipe possa realizar a troca de todas as peças antes que as mesmas venham a falhar. Ou seja, em termos práticos, é necessário consultar no manual da máquina, a periodicidade de troca de rolamentos, por exemplo, programar a parada do equipamento e a troca do item. Esta ação gera grande desconforto ao gestor da fábrica, pois está fazendo o descarte de peças que poderiam operar por mais alguns meses ou até anos, ou seja, há um sentimento de desperdício. Além disso, geralmente, o cálculo de vida útil das peças sujeitas a desgaste são subestimadas, ou seja, o tempo de utilização indicado no manual tende a ser baixo devido aos coeficientes de segurança relacionados as diferentes condições do ambiente destas empresas, as quais utilizam produtos de variadas composições químicas.

Após avaliar os prós e contras tanto da manutenção corretiva, quanto da manutenção preventiva na prática. Avaliamos algumas empresas deste segmento que aplicam outro conceito, a manutenção preditiva, a qual faz uso racional de recursos ao mesmo tempo em que visa evitar a parada inesperada da máquina. Em termos práticos, um profissional de manutenção possui uma lista de itens a verificar na máquina, que pode ser colocado em prática nos pequenos intervalos ou após a finalização de um turno de trabalho. O objetivo é fazer uma avaliação analítica periódica, visual ou dimensional, portanto de baixo custo, pois envolve somente a mão de obra já existente. Para complementar, é indicado uma análise funcional de cada máquina durante a operação, ou seja, por alguns minutos, um profissional de manutenção assiste o equipamento operar com atenção aos mecanismos sujeitos a movimentos repetitivos ou grandes esforços. Com esta ação, será possível detectar a necessidade de ajustes ou intervenções.

Frequentemente, ao detectar uma peça desgastada em excesso, por exemplo, e fazer a substituição da mesma, evita-se o efeito sobre as demais peças do sistema. E assim, reduzimos custos e preservamos a integridade do mesmo. Além de aumentar a disponibilidade da máquina, há uma grande contribuição para maior vida útil do equipamento. Por exemplo, a medição da corrente elétrica de um motor pode detectar uma sobrecarga ou avaria interna, sendo possível fazer uma ação antes que venha a gerar custos maiores. Outro exemplo, a simples substituição de um filtro é infinitamente mais barato do que a substituição de todo o sistema pneumático de uma máquina, sem contar com os custos provocados pelo funcionamento anormal do equipamento que resulta em perdas de produção ou até na operação insegura do mesmo.

São infinitos os exemplos práticos que nos levam a concluir que a manutenção preditiva é a melhor alternativa para empresas deste segmento, pois faz uso de práticas simples de verificação e análise para reduzir paradas inesperadas ao mesmo tempo em que evita a substituição equivocada de peças. Dispensando grandes investimentos e fazendo máximo uso dos recursos existentes.

A manutenção preditiva depende essencialmente do fator humano, da vontade e da atitude das pessoas. Ou seja, cabe a empresa oportunizar profissionais com estas características. Hoje, a capacitação destes profissionais não pode ser entrave, pois vivemos uma realidade de fácil acesso as informações e ilimitados meios de comunicação. Neste processo, podemos acrescentar parcerias com institutos de ensino e o envolvimento das empresas fornecedoras de maquinas e tecnologias.

Por fim, poderíamos citar inúmeras oportunidades de avanço, como: a gestão da manutenção, a manutenção produtiva total (TPM), a escolha de tecnologias e fornecedores... Mas, o primeiro passo é conscientizar, discutir e desenvolver o tema manutenção em pequenas e médias empresas deste segmento, pois ela é fator decisivo para a saúde financeira destas companhias ao longo do tempo.

Eng.º Cleber Marchesan Perlin (Gerente de Engenharia de Vendas)

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